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Resumo
A Teoria de Cannon-Bard, proposta por Walter Cannon e Philip Bard, argumenta que emoções e reações fisiológicas ocorrem simultaneamente e de forma independente. Baseada em estudos com animais, a teoria sugere que estruturas subcorticais, como o tálamo e o hipotálamo, enviam sinais simultâneos para o sistema nervoso autónomo e o córtex, gerando emoções e respostas fisiológicas ao mesmo tempo. Isso desafia a ideia de que cada emoção possui um padrão fisiológico único, destacando a importância do sistema nervoso central na regulação das emoções.
A Teoria de Cannon-Bard, desenvolvida por Walter Cannon (1871-1945) e Philip Bard (1989-1977), surgiu para contrariar a Teoria de James-Lange argumentando que as emoções e as reações fisiológicas ocorrem de forma simultânea e independente, sem que uma seja a causa direta da outra. Esta perspetiva defende que, ao enfrentar um estímulo emocional, como a visão de um predador, o cérebro processa a emoção (por exemplo, o medo) enquanto o corpo inicia a resposta de luta ou fuga, ambos acontecendo ao mesmo tempo.
Deste modo, a Teoria de Cannon-Bard foi desenvolvida com base em estudos de experimentação animal, como a pseudorraiva induzida em gatos através da manipulação do hipotálamo e do córtex. Esses estudos mostraram que, ao desconectar o hipotálamo de outras partes do sistema nervoso central, era possível modificar as respostas emocionais dos animais, levando-os a exibir agressividade em situações normalmente neutras (Cannon, 1927). Estas observações levaram a que Cannon e Bard afirmassem que estruturas subcorticais, como o tálamo e o hipotálamo, desempenham um papel central na mediação das emoções, enviando simultaneamente sinais ao sistema nervoso autónomo e ao córtex, para a ativação das respostas emocionais e fisiológicas.
Assim, Cannon e Bard observaram que uma mesma alteração fisiológica, como o aumento da frequência cardíaca, pode estar associada a diferentes emoções, como o medo, a raiva ou a excitação. Isto sugere que o corpo pode apresentar respostas fisiológicas idênticas em situações emocionais diferentes, contrariando a ideia de que cada emoção possui um padrão fisiológico único. Por exemplo, uma pessoa pode sentir o coração acelerar tanto quando está zangada como quando está ansiosa, reforçando a ideia de que as emoções não dependem exclusivamente das reações corporais, mas de processos cerebrais simultâneos e distintos.
Para finalizar, a Teoria de Cannon-Bard teve implicações importantes para a psicologia e a neurociência, promovendo estudos que exploram a independência entre o processamento emocional e as respostas fisiológicas. Esta perspetiva destaca a importância do sistema nervoso central, em especial do tálamo e do hipotálamo, na regulação das emoções e no controle das reações corporais associadas a estas. Estudos de neuroimagem recentes apoiam a ideia de que diferentes redes neuronais podem operar simultaneamente para processar as emoções e as respostas corporais, reforçando a complexidade e interdependência entre o cérebro e o corpo na experiência emocional.