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Resumo
Magda B. Arnold é pioneira na teoria cognitiva da emoção, propondo que as emoções resultam de uma avaliação direta do impacto de um objeto ou situação. Segundo Arnold, a sequência é: perceção - avaliação - emoção. A avaliação emocional é imediata e automática, levando a uma tendência de ação baseada em atração ou repulsa. Arnold destaca a diferença entre perceção e avaliação, a reação instintiva, e a importância da consistência nas nossas expetativas.
Magda B. Arnold é considerada a pioneira da teoria cognitiva da emoção na psicologia moderna, após o behaviorismo. Segundo William James, as emoções resultam da avaliação das mudanças corporais que ocorrem quando uma pessoa é estimulada ou se encontra em uma situação específica. Desta forma, a emoção depende da perceção dessas alterações. No entanto, Magda B. Arnold (1903-2002) ofereceu uma visão diferente com o conceito de avaliação emocional ou appraisal (López, 2023).
Arnold sugeriu que a emoção não segue a mudança física, mas que é necessária uma avaliação direta sobre como o objeto ou a situação nos afeta. Essa avaliação resulta em um sentimento de atração ou repulsa, que por sua vez gera a aproximação ou o afastamento do objeto ou situação. A sequência seria: percepção - avaliação - emoção. Segundo Arnold, “as emoções dependem das avaliações que temos dos objetos e das situações” (López, 2023).
Ao avaliar uma situação, Magda B. Arnold destacou quatro aspetos fundamentais: a diferença entre percepção e avaliação, a imediata avaliação emocional, a tendência de ação e a consistência (López, 2023).
Primeiro, a diferença entre percepção e avaliação: perceber um objeto é saber como ele é, enquanto avaliá-lo é colocá-lo em relação a nós, classificando-o como agradável ou desagradável. Por exemplo, se encontrarmos um leão a rugir na rua, avaliaremos como algo desagradável, provocando medo. No entanto, ao vê-lo em um zoológico, podemos considerá-lo uma experiência agradável (López, 2023).
A avaliação emocional é imediata, automática, direta e não reflexiva, o que significa que reagimos sem pensar duas vezes. Por exemplo, ao encontrar um leão na rua, a nossa reação de correr é imediata, instintiva e sem processamento reflexivo, movida pelo medo. Da mesma forma, choramos de alegria ao encontrar um ente querido sem pensar sobre isso, demonstrando uma reação espontânea e não intelectual (López, 2023).
Quando avaliamos algo como agradável ou desagradável, iniciamos uma tendência de ação que sentimos como uma emoção, associada a mudanças corporais que podem levar a ações concretas. Avaliar algo como agradável tende a provocar aproximação, enquanto algo desagradável leva ao afastamento. Arnold sugere que, quando os estados fisiológicos estão muito ativados e não são seguidos de uma ação, isso pode resultar em desconforto e frustração. Ela argumenta que primeiro agimos e depois pensamos sobre o objeto percebido que desencadeou a ação (López, 2023).
Nós geralmente assumimos que tudo permanecerá igual. Pensamos que as pessoas conhecidas sempre se comportarão da mesma maneira e que os nossos entes queridos estarão sempre presentes. No entanto, isso não é necessariamente verdade, e o contraste entre as nossas expectativas e a realidade pode causar sofrimento. Arnold enfatiza a importância de entender que mudanças inevitáveis nas nossas vidas não precisam de causar grande desconforto (López, 2023).
Magda B. Arnold foi uma figura influente na psicologia, especialmente no estudo das emoções. Os seus trabalhos permitiram que Richard Lazarus desenvolvesse teorias amplamente aceites sobre a avaliação cognitiva, o stresse e a emoção. É importante reconhecer que além de homens prestigiados, grandes mulheres, como Arnold, contribuíram significativamente para o desenvolvimento de diferentes teorias.